Post Inaugural

Decidi escrever um blog. Como toda inauguração de blog, meu objetivo no primeiro texto é detalhar minhas motivações e gerenciar as expectativas dos meus leitores. Como se vê pelo meu início, esse não é um blog inovador ou revolucionário. Vai ter a estrutura conhecida, padrão. Eu escrevo, posto com uma regularidade que será cada vez menor até eu desistir de vez, e vocês comentam.

Já mantive outros blogs anteriormente, nenhum deles com muito sucesso, mas claro, eu também só escrevia cretinices e a divulgação era basicamente minha família e alguns amigos. Não acredito que esse será diferente, mas é de graça, então por que não tentar.

Começo explicando meus motivos para escrever. Não acredito naquele ditado de que você deve ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro. Mesmo porque, as pessoas que acreditam nesse ditado nunca o cumprem. Nem a parte mais fácil, que é plantar uma árvore, eles fazem.

Vamos supor que uns cem milhões de pessoas acreditem nesse ditado. Se todas elas decidissem cumpri-lo, começando pela tarefa mais fácil (podendo desistir depois), teríamos cem milhões de árvores a mais.

Num chute por baixo, uma conta de padaria, eu estimei que a Amazônia possui cerca de um bilhão de árvores. Nada mal, ter um 10% a mais de Amazônia. Acho que esse volume seria suficiente para dobrar a Mata Atlântica.

O segundo problema com o ditado é o último item da lista. Escrever um livro. Vamos supor que um sujeito crente na necessidade desse ditado para a completude de uma vida perfeita escreva e publique seu livro. Para se fazer uma tonelada de papel, são necessárias vinte árvores. Coloquemos um livro que pese duzentos gramas. Para uma tiragem de mil livros seriam necessárias quatro árvores. Nosso amigo do exemplo só plantou uma árvore. As outras três ele derrubou de colegas que desistiram antes de escrever um livro ou ter filhos.

E claro, eu nem considero o número de árvores que nosso amigo da vida completa suprema vai gastar em seu ensejo de ter um filho. Mas nem sei por que estou falando sobre árvores. Desse modo, poderiam até pensar que eu sou ecologista. Eu sinceramente não me importo com elas.

Não acredito nesse ditado, enfim. Não me lembro de ter plantado uma árvore – não me oporia a plantar uma, todavia – e não me vejo tendo um filho no futuro. Mas gostaria de algum dia ter um livro meu publicado, matando o número de árvores que for.

Não tenho a pretensão de trabalhar como escritor. Vou arrumar um emprego comum, ganhar meu dinheiro e quem sabe ficar rico um dia. Mas sou um amante de literatura, e eu falo muito mais do que penso, e talvez se eu começasse escrever, pudesse sair alguma coisa boa.

Contudo – ao contrário da crença popular e dos manuais de escrita – escrever não consiste em apenas sentar e soltar palavras aleatórias. Eu me lembro de um conselho de um manual de escrita (sim, eu já li alguns deles), afirmando que se você se dedicar a escrever mil palavras por dia, no final do ano vai ter 365000 palavras, confortavelmente distribuídas em seis livros de tamanho curto.

Sobre o que esses livros vão versar, eu não posso nem imaginar. É só sentar e escrever mil palavras por dia. Verbetes do dicionário randomicamente distribuídos, num romance dadaísta, talvez fossem válidos para o escritor do manual.

Em ressalva minha, apesar desses conselhos inúteis dos manuais de escrita, eu acredito sinceramente que escrever leva a escrever, de forma que um blog poderia ser um bom pontapé inicial para chegar a desenvolver um enredo com maior profundidade.

Isso me leva ao segundo objetivo desse texto, gerenciar as expectativas de vocês, leitores. Não, esse não vai ser um blog sobre escrever. Eu já estou bem cansado de escritores que escrevem sobre escrever, culpa da geração beat. Não é que eu não goste dos beats, mas Machado de Assis simplesmente sentava a bunda na cadeira e escrevia, assim como Dostoievski ou Balzac.

Mas estou cansado de romances sobre escrever e afins. Claro, eu ainda assisto a filmes do Woody Allen regularmente, leio Fante e Hemingway. Sinceramente os prefiro a qualquer Machado de Assis.

O blog não vai versar sobre escrever, isso foi dito. Sobre o que eu escreveria, então? De maneira simples, eu não sei. Como eu falei no começo desse post, esse não é um blog revolucionário, e como todo blogueiro amador, eu não sou especialista em nada, nem mesmo em minha própria vida.

Quando eu sentir vontade de escrever, sobre o assunto que for, eu sento e escrevo – talvez verbetes do dicionário, vá saber. Claro, quanto mais reação eu tiver de leitores, mais motivado ficarei a escrever sobre o assunto comentado. E claro, se eu insistir em escrever sobre esportes, por exemplo, que é uma matéria que não entendo nada, pouco a pouco vocês desistirão de mim com toda razão do mundo. Basicamente, é a regra de oferta e demanda.

Não escrevi minhas mil palavras, mas cheguei perto. Não vou escrever todo dia, tenho toda uma vida pra levar. Mas prometo me dedicar a esse blog com a mesma empolgação de vocês leitores, por ele.

Word counting:

L’Esprit du Temps – 860

The Bet, by Anton Chekhov – 2871

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4 pensamentos sobre “Post Inaugural

  1. Bom, eu já esperava esse blog faz tempo. Quando te disse, quando você me mostrou uma coisa ou outra, que você tinha uma identidade de escrita muito boa eu não estava sendo legal. É sério.
    Pode crer que eu estarei por aqui e se eu não estiver por favor me lembre.
    Comecei meu blog com o mesmo intuito que o seu e cara, ainda não rolou nada, mas é uma coisa que faz bem pra você e para os outros. É tipo aquele velhinho que fica sentado no quintal olhando a rua, ou a criança que gosta de jogar migalhas de pão pros peixes e outras coisas assim, sutis, que simplesmente acontecem; Sinto que escrever é isso. E sinto isso em você.

    Grande abraço!

  2. Eu gosto de árvores.

    Hehe, parabéns pela iniciativa! Acho que é isso mesmo, temos que nos manter ativos da maneira que pudermos… e se não rolar pelo menos ficou o traço atrás na areia onde a gente pisou (e todo mundo que postar aqui vai vir com uma imagenzinha literária, pode ter certeza). Gostei da visão de escrita do Felipe, dá pra imaginar bem.

    Um brinde a novos ares e a se fazer o que gosta ^^

  3. Você dedicou muitos parágrafos às árvores e outros tantos à arte de escrever. Senti falta de comentários sobre os filhos!
    Hehehe, brincadeira!
    Adorei o post. Sou sua “new follower”!
    PS: desiste do IRI e pega umas matérias na Letras. Ficadica.

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